Peopleware – Parte 3

Chapter 3: Vienna Waits For You

Spanish Theory Management

Há muito tempo atrás, historiadores formaram uma abstração sobre diferentes teorias de valor. Uma delas é a “teoria espanhola” que diz que existe um acumulo de valor finito na Terra, portanto, a base do acumulo de riquezas foi aprender a extrair o mais eficientemente possível através do solo ou das costas das pessoas. Em seguida veio a “teoria inglesa” que dizia que valor poderia ser criado através de engenhos e tecnologia.
Então a Inglaterra sofreu a revolução industrial enquanto a Espanha corria atrás da descoberta e exploração de novas terras. Eles movimentaram quantidades enormes de ouro pelo oceano, e tudo que conseguiram com esse esforço foi uma enorme inflação (muito ouro por poucas mercadorias utilizáveis).
A “teoria espanhola” do valor ainda vive, principalmente entre gerentes, de todo lugar.
Aonde quer que estejam, estão sempre falando de “produtividade”. Produtividade pode ser entendida como conceber mais em uma hora de trabalho, ou, como é mais frequentemente entendida, extrair mais por uma hora de pagamento, sendo que, existe um abismo entre as duas compreensões. Gerentes seguidores da “teoria espanhola” sonham em obter maiores níveis de produtividade através de horas-extras não remuneradas. Eles dividem todo o trabalho que é feito em uma semana por 40 horas semanais e não pelas oitenta, noventa horas que os trabalhadores se aplicam ao trabalho.
Isto não é exatamente produtividade, soa mais como “fraude”, porém é o estado da arte para muitos gerentes. Eles intimidam e persuadem suas pessoas a trabalharem por longas jornadas. Tentam impressionar as pessoas sobre o quão importante é uma data de entrega (mesmo que seja uma data totalmente arbitrária).

And Now a Word From the Home Front

Embora sua equipe possa ser exposta à mensagem “trabalhe mais e mais forte” enquanto estão no trabalho, em casa eles estão tendo uma mensagem totalmente diferente. A mensagem em casa é “a vida está passando por você. Sua lavanderia está cheia, seus bebes estão desamparados, sua esposa está começando a buscar novos horizontes. Só há esse tempo chamado vida, um tiro. E se passar sua vida com COBOL…”

But you know when the truth is told,
That you can get what you want or you can just get old.
You’re going to kick off before you even get halfway though.
When will you realize… Vienna waits for you?
– “The Stranger”, Billy Joel

A Vienna que espera por você na frase de Billy Joel é a última parada na sua trajetória. Quando você chegar lá, está tudo acabado (segundo o autor! Eu penso diferente, mas não vamos entrar no mérito). Se você pensa que seus funcionários nunca se preocupam com essas coisas, pense de novo. Seus funcionários estão muito cientes do curto período de vida ao qual estão alocados. E eles também sabem que precisam fazer alguma coisa mais importante do que simplesmente trabalhar no que trabalham.

There Ain’t No Such Thing as Overtime

Hora-extra de trabalhadores assalariados é fruto da ingênua imaginação dos gerentes. Ora, deve haver algum benefício por algumas horas de trabalho a mais num sábado para atender algum prazo na segunda-feira. Algo como banco de horas (mas que realmente funcione, ou seja, que não fique apenas acumulando) para que o funcionário possa cuidar de suas vidas. Esta troca deve funcionar para períodos curtos, você não obterá os mesmos resultados utilizando isso de maneira continua.

Slow down you crazy child,
And take the phone off the hook and disappear for a while.
It’s all right. You can afford to lose a day or two.
When will you realize… Vienna waits for you?

Da mesma maneira que hora-extra é amplamente invisível para gerentes da “teoria espanhola”, as horas não trabalhadas durante o expediente também são. Você nunca verá na folha de horas de ninguém o tempo gasto ao telefone, descansando, etc.
Ninguém pode realmente trabalhar muito mais do que quarenta horas, pelo menos não continuamente e com o nível intensidade requerido para um trabalho criativo.
Hora-extra é como um “sprint”: faz total sentido quando usado no final das maratonas por aqueles que têm energia suficiente para tal. Se você fizer um “sprint” no começo da maratona será apenas perda de tempo. Tentar fazer as pessoas trabalharem muito tempo a mais resultará apenas na perda de respeito pelo gerente.
Os melhores funcionários quando submetidos a excesso de horas-extras reage aumentando seu tempo de café, banheiro, descanso, trabalhando ao final as mesmas 40 horas semanais. Os únicos que trabalham independente desse excesso são os “workaholics” (viciados no trabalho).

Workaholics

Trabalham demasiadas horas, mas sofrem um declínio de eficiência. Ponha-os sobre pressão suficiente e eles avançarão sobre suas vidas pessoais. Porém somente por um tempo. Mais cedo ou mais tarde “a mensagem” vem até mesmo ao mais dedicado funcionário.

Slow down, you’re doing fine,
You can’t be everything you want to be before your time.
Although it’s so romantic on the borderline tonight.
But when will you realize… Vienna waits for you?

Uma vez que essa idéia é digerida, o funcionário está perdido para sempre. A idéia de que se pode sacrificar o valor mais importante (família, amor, lar, juventude) por outro menos importante (trabalho) é devastadora.
Gerentes precisam saber lidar com esse tipo de funcionário, se você explorá-lo, provavelmente o perderá. Não importa o quão desesperado para colocar horas em cima deles, você não pode privá-los de suas vidas pessoais. A perda de um bom funcionário não valerá isso.

Productivity: Winning Battles and Losing Wars

Da próxima vez que você escutar alguém falar sobre produtividade, escute atentamente se o locutor usar a palavra “rotatividade”. Muito provavelmente ele NÃO dirá. Você nunca encontrará um bom conselho relacionando estes dois termos.

Considere algumas coisas que as organizações tipicamente fazem para supostamente aumentar a produtividade:

– pressionam as pessoas a fazer hora-extra;
– mecanizam os procedimentos do desenvolvimento de produtos;
– comprometem a qualidade do produto;
– padronizam procedimentos;

Qualquer uma dessas medidas pode potencialmente fazer o funcionário trabalhar menos animado e menos satisfeito. Daí, o processo de aumentar a produtividade recorre a rotatividade. O que não quer dizer que não se pode aumentar a produtividade sem pagar por esse preço. Apenas quer dizer que você tem que manter um controle sobre a contagem dessa rotatividade. Senão você apenas aumentará o número de saída de “funcionários chave”.
A maioria das empresas sequer mantém estatísticas sobre rotatividade. É virtualmente impossível alguém mensurar o custo da substituição de um funcionário experiente.

Produtividade deve ser definida como o benefício dividido pelo custo. Senda que no custo, deve ser incluído substituições de funcionários usados no esforço.

Reforçando a idéia…
“Certa vez um gerente de projeto garantiu que finalizaria o projeto no prazo estipulado. No dia seguinte ele foi convocado por um de seus superiores, o prazo de entrega do projeto havia sido antecipado”.

O pensamento vem completamente de encontro à “teoria espanhola”. Você precisa colocar as pessoas sob pressão suficiente. É sempre melhor ter a esperança de um prazo IMPOSSÍVEL para extrair mais dos funcionários… Você realmente acha que isso funciona? Não existe mágica! Se o prazo vai diminuir, logo outros aspectos serão fortemente afetados, como a qualidade do produto, e o mais importante para os desenvolvedores que é a satisfação em ver seu próprio trabalho bem-feito.

Pessoas sob pressão não trabalham melhor, apenas trabalham mais rápido.